Entenda as diferenças entre Google e Yahoo! (Parte IV – Final)

No fim, ambas as empresas estão no mesmo negócio. A maior parte dos especialistas se fosse forçado a defini-lo com uma palavra, diriam que é mídia. Sim, a Google começou sua vida como um algoritmo em um programa de PhD e a Yahoo! começou como um guia editado para a Web, mas elas estão claramente convergindo para o mesmo espaço; elas são intermediárias de informações e serviços para consumidores e obtem valor com esses serviços usando os fluxos tradicionais de receita do ramo de mídia – propaganda e assinaturas. Para Brin (co-criador) a cobrança de taxas de orientação para usuários não é algo muito longe da realidade da Google.

Devido ao seu DNA de mídia, a Yahoo! está claramente mais à vontade com obtenção de um valor justo pelos serviços de mídia prestados e, por esse fato, acredita-se que ela, a Yahoo, tenha sido mais livre em sua abordagem à busca. Como escreveu recentemente um executivo da Yahoo! para a revista Forbes: “Estamos inteiramente focalizados na conclusão de tarefas.” Em outras palavras, se a tarefa em pauta é a compra de um CD, ou verificar um vôo, ou encontrar um restaurante local, a Yahoo! tem inovado repetidamente na construção de uma comitiva de resultados de busca que ajudam o consumidor a concluir a tarefa e, no processo, remunerar a Yahoo!.

Quando o assunto é concluir tarefas, a Google faz o mesmo em muitos casos, mas a empresa sente-se pouco à vontade com a idéia de ligar comércio aos seus produtos de mídia – ela resiste em ganhar dinheiro sobre o valor criado de qualquer maneira que não seja o AdWords (e inicialmente resistiu até a isto). Dois exemplos são o News, em que não há modelo de negócios, e o Froogle, onde o único modelo é o AdWords. De certa forma, esta reticência impede a inovação no espaço dos resultados da busca.

Se o consumidor realmente quer fazer compras, ou navegar por resultados de notícias de alta qualidade, e você prestar um ótimo serviço nesse sentido, não há vergonha em ganhar dinheiro com isso, mesmo que esse dinheiro não seja ganho com propaganda (por exemplo, fechando acordos com editores de músicas ou notícias, ou convencendo seus consumidores a comprar um serviço especial).

A Google certamente é uma grande empresa de mídia. E as cartas que ela tem, combinadas com as providências que tomou recentemente, indicam que ela será no futuro uma força ainda maior em mídia. Um caso em questão é o Google Print, a medida que o programa se expande, surge uma série de perguntas. Como a Google irá ganhar dinheiro com livros cujos direitos autorais caducaram? Ao trazer para a Web seu índice de centenas de milhares de livros esgotados, ela irá permitir que outros acessem e indexem essa nova coleção de tesouros, ou agirá mais como uma empresa de mídia tradicional, que “possui” esses recursos para seu próprio uso?

Como ela irá escolher o que trazer para o índice? Irá começar por aqueles que poderão vender melhor, ou por aqueles que, de alguma forma, considerar “bons para o mundo”? Com relação a livros ativos, ela irá se limitar a ser exclusivamente uma ferramenta organizacional apoiada pelo AdWords, ou começará a cobrar uma porcentagem das vendas dos livros comercializados por meio do serviço Google Print? E o modelo para livros será estendido à televisão, filmes ou música?

A busca orgânica pura fez da Google o que ela é e permanece como o verdadeiro norte da empresa. Na Yahoo!, a busca orgânica pura é vista como uma opção (extremamente importante) entre os vários serviços relacionados a buscas oferecidos pela empresa. Quando você entra com um termo de busca, os resultados orgânicos puros estão sempre lá, mas também estão outros serviços desenvolvidos pela Yahoo! em resposta ao objetivo implícito do termo digitado.

No inicio de 2005, a American Online, uma parceira da Google, anunciou uma nova estratégia de busca que se alinhava com a abordagem da Yahoo. Não por acaso, a AOL é de propriedade da Time Warner, uma empresa de mídia. Quando as empresas como a Google e a Yahoo! passam a ser intermediarias de conteúdos como livros e vídeos, o que acontece com empresas como a Amazon? Pensando um pouco nisso, torna-se obvio por que a Amazon está ocupada aperfeiçoando o A9.com, sua própria ferramenta de busca.

A busca movimenta o comércio, e este movimenta a busca. Os dois extremos estão se encontrando no meio de forma inexorável e todo grande participante da Internet, da eBay à Microsoft, quer estar dentro. A Google pode ser a melhor em busca por enquanto, mas, no futuro, isso certamente não bastará.

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