Será o Google a próxima Microsoft (Parte 2 de 2)

18 Janeiro, 2007

Apesar da Microsoft estar perdendo o confronto direto com a Google, no mercado on-line, não se pode subestimar a empresa de Bill Gates.

Mudanças de rumo

O CEO da Microsoft, Steve Balmer, e o Chairman, Bill Gates, continuam acreditando na habilidade da empresa em inovar, investindo em novas funcionalidades para o seu sistema operacional, desenvolvendo novos aplicativos, assim como investindo no mercado de videogames.

“Para a Microsoft esse ano é um grande marco, muitos produtos que estamos desenvolvendo por anos estão finalizados e devem ser introduzidos no mercado”.Declarou Bill Gates no seu “keynote” na abertura da CES 2007 – Consumer Eletronics Show – realizada semana passada em Las Vegas.

Durante a palestra de Gates, um funcionário da Microsoft demonstrou o Virtual Earth, tido como um exemplo na inovação que a empresa pretende introduzir durante o ano. Utilizando o Xbox o funcionário voou em uma réplica 3D da cidade de Las Vegas, projetada no telão.

“Isso é muito divertido e também muito prático”. Disse Justin Hutchinson, o funcionário que realizou a demonstração durante a palestra do Chairman da Microsoft. “Se sou um novo habitante, ou visitante da cidade, posso ter um senso de direção visualizando virtualmente onde estão as atrações de Las Vegas”, disse Gates.

No entanto, mesmo as pessoas que elogiaram o produto desconfiam que as funcionalidades disponíveis excedem as necessidades do consumidor médio.  “Parece que para as finalidades práticas da maioria dos consumidores ferramentas em 2D, que indicam a direção precisamente e detalhadamente, supram as atuais necessidades”. Escreveu Walter Pritchard, um analista da Cowen & Co.

Steve Berkowitz, ex CEO da Ask.com, foi contratado pela Microsoft em abril de 2006 para operacionalizar esse tipo de serviço on-line, falou para o jornal “Mercury News” que a empresa precisa focar mais no que o consumidor deseja em relação as novas tecnologias.

“…é muito ao redor da idéia de modificar o pensamento”, disse Barkowitz, que tem a credibilidade por ter ressuscitado a Ask depois que a empresa quase faliu com a bolha da internet em 2000. “A tecnologia é o inicio, e a experiência do usuário é o que temos que focar”.

A crítica, cuidadosamente, exposta por Berkowitz é repetida pelos especialistas em marketing baseado em ferramentas de busca que estão tendo dificuldades em utilizar o novo aplicativo para a gestão de campanhas publicitárias on-line lançado pela Microsoft, o AdCenter.

Sherry Mao, gerente de marketing em buscas da Coremetrics, uma empresa que auxilia os anunciantes a gerenciar e mensurar o resultado de suas campanhas on-line, disse que seus clientes estão gostando da taxa de conversão (impressões x cliques) aferida no AdCenter. Muitas vezes o resultado obtido utilizando o aplicativo da Microsoft atinge até cinco vezes mais do que o AdWord, da Google.

Contudo, Mao relatou que o sistema da Microsoft é muito mais complexo que o da concorrente e pode demandar horas para a criação de uma campanha, enquanto que no AdWords o anunciante realiza essa tarefa em minutos. “O processo é muito manual e demanda um tempo muito grande para ser configurado”.

Continuando com as análises de Sherry Mao, segundo ela a Microsoft impressionou de forma positiva os executivos da Coremetrics oferecendo uma equipe especializada para ser alocada na empresa e instruir como tirar maior proveito do sistema. 

Mas mesmo com um software superior, se a Microsoft não mostrar resultados, consistentes, no aumento de tráfego a batalha frente o Google continuará longe de ser vencida.“Temos que atingir a massa critica”, escreveu Berkowitz.

Além de contratar Berkowitz, a Microsoft tem tomado medidas drásticas para ajustar o curso da sua estratégica em produtos on-line.

As apostas também estão no “Live”

Em junho de 2006 um renomado forasteiro, Ray Ozzie, o criador do Lotus Notes da IBM, foi contratado para o posto de Diretor de Arquitetura de Softwares – cargo até então ocupado por Bill Gates. Ozzie defendeu as idéias elaboradas para os serviços “Live”, ou aplicativos que tinha suas funções essencialmente baseadas na internet, utilizando API´s nas quais desenvolvedores externos pudessem aproveitar a “base” para construir aplicações, como já havia sido utilizado anteriormente com Windows, no caso das DLL´s.

A Microsoft teve que modificar a sua metodologia de desenvolvimento de softwares, adotando métodos mais ágeis de programação, nos quais enfatizava pequenas equipes e produtos comercializáveis a curto prazo, minimizando os longos processos de planejamento. “Implantamos uma metodologia de desenvolvimento ágil e sem muitas burocracias, na intenção de entregar mais produtos em menos tempo. Assim, maximizamos nossas receitas e vantagens estratégicas no posicionamento de mercado”. Declarou Ozzie.

Nas novas áreas, como serviços para telefonia móvel que conectam a internet, a Microsoft ainda leva vantagem em relação ao Google. De acordo com a Telephia, uma firma de pesquisas, 3,7% dos proprietários de telefones móveis nos EUA acessaram o site da Microsoft em 2006, contra 3,5% que visitaram o serviço on-line da Google.

Mas até mesmo nessa área a, tão poderosa, Microsoft não ocupa a liderança. Kanishka Agarwal, vice-presidente da Telephia, escreveu recentemente para a revista Forbes que a Yahoo! detem a o primeiro lugar nesse segmento com 5,9% dos usuários graças aos acessos provenientes do Yahoo! mail.

O ponto chave que a Microsoft perdeu, disse Alan Wiener, um analista técnico veterano, foi o ponto focal que era incorporado por Bill Gates. O cargo de CEO foi delegado a Balmer, em janeiro de 2000, e Gates continuou profundamente engajado como responsável pela Arquitetura de Software até junho, quando foi substituído por Ozzie.

A retirada gradual do micro-gerente da Microsoft esta causando sérios problemas de integração entre os produtos da empresa. Por exemplo, o Zune, aparelho reprodutor de musicas e vídeos inicialmente não eram carregados com vídeos do serviço Soapbox. Já o Xbox tem a funcionalidade de enviar mensagens instantâneas, contudo a ferramenta não está integrada com o MSN que roda no PC.

A Microsoft se justifica declarando que esta trabalhando para integrar todas as suas tecnologias para criar uma experiência simples e poderosa ao usuário.

“A idéia de experiências integradas deve evoluir com o que iremos disponibilizar ao longo desse ano de 2007”. Declarou Bill Gates no seu “keynote” da última semana, na CES. “Nós podemos adicionar essas incríveis melhoras no hardaware, nos podemos ter um novo tipo de conteúdo que sempre será desenvolvido focando a interatividade, nos podemos ter esse aplicativo poderoso… nos podemos ter tudo isso e atingir o próximo nível”.

“Não subestime a Microsoft”, concluí Weiner.

Enquanto isso em Moutain View…

Enquanto a Microsoft quebra a cabeça para afastar o fantasma Google de seus sonhos, a empresa de Mountain View continua a prosperar e aumentar, ainda mais, seu domínio na Internet.

Aparentemente a Google começa a faturar U$0,20, proveniente de receitas publicitárias, por cada busca realizada em seu site, de acordo com o analista Tim Boyd da Caris & Co., escrito em um recente artigo na BusinessWeek.

Utilizando os dados disponibilizados pela comScore, Boyd estimou que a Yahoo! faturou em média 10 à 20 centavos de dólar por cada busca realizada no seu site em 2006, totalizando um faturamento de U$1.61 bilhões nos primeiros nove meses do ano. Utilizando a mesma fórmula o analista concluiu que a Google faturou entre 19 e 21 centavos de dólar em cada busca, totalizando U$4,99 bilhões no mesmo período.

O crescimento da Google foi incrível se comparado com os U$0,10 de dois anos atrás. O artigo da BusinessWeek também relata a dificuldade do Yahoo! em monetizar os page views que não são provenientes de buscas, além do potencial de alavancar a veiculação de anúncios direcionados a um público específico em páginas que não são de buscas.

Dessa forma fica claro que todo o mercado corre atrás do prejuízo que o sucesso da Google vem causando. Em todas as frentes os executivos das principais empresas Web traçam estratégias para retomar o crescimento de suas respectivas empresas que perdem mercado, essencialmente para a Google.


Será o Google a próxima Microsoft? (Parte 1 de 2)

16 Janeiro, 2007

Estratégias baseadas no controle dos usuários e no monopólio refletem diretamente na perda de mercado da Microsoft frente a Google.

A Microsoft pode ter despendido anos no desenvolvimento do Windows Vista, gerando um longo atraso para o lançamento da nova versão do sistema operacional, mas quando Bill Gates apresentou o plano para e, finalmente, minar o domínio do Google – na Internet – ele disponibilizou apenas 100 dias aos engenheiros da empresa.

Gates delegou a Stephen Lawler, líder da recém formada equipe de desenvolvimento do Virtual Earth, a responsabilidade de não permitir atrasos seguindo a risca o cronograma estipulado para dois anos de desenvolvimento do produto.

Contudo os esforços não foram suficientes, a equipe de Redmond (sede da Microsoft) perdeu a corrida para os programadores de Moutain View e assim a Google saiu na frente lançando o Google Earth antes da concorrente.

Durante o último ano a Microsoft lançou alguns aplicativos web. Além do, muito elogiado, Virtual Earth um software em 3D que retrata fielmente as maiores cidades do planeta, a empresa disponibilizou outros serviços on-line: seu novo portal – o Live, o portal de vídeos, classificados on-line, serviço de e-mail para celular e sua rede social (o Microsoft Space). Talvez o serviço mais importante, lançado em maio de 2006, tenha sido seu novo AdCenter que possibilitaria a empresa monetizar a partir dos serviços on-line oferecidos.

O resultado da demora: O número de usuários dos seus serviços on-line ficou longe das metas estipuladas devido aos atrasos no desenvolvimento dos produtos, a Google saiu na frente lançando produtos semelhantes antes da Microsoft. As vendas de anúncios não tiveram sucesso, enquanto o tráfego e as vendas de anúncios da Google continuaram a crescer vertiginosamente.
“Ainda é muito cedo!”

Os principais executivos da Microsoft dizem que estão trabalhando com uma visão de longo prazo. “Nós ficamos satisfeitos quando disponibilizamos os serviços certos no lugar certo, a equipe certa no lugar certo terá sucesso, mas é muito precipitado tentar ocupar todos os espaços disponíveis nesse momento.”, declarou Adam Sohn, diretor de vendas e marketing para os serviços on-line.

Otimismo corporativo à parte, os resultados recentes e oficiais são bastante alarmantes.

De acordo com a comScore Media Metrix, o número total de visitantes únicos que acessou os sites da Microsoft – nos EUA – em dezembro de 2006 superou os 117 milhões, um nível de crescimento igual a zero comparado com o ano anterior. Já a Google obteve a audiência de 113 milhões de usuários únicos, um crescimento de 21% comparado com dezembro de 2005. Em relação ao número de Page Views, a Microsoft teve um crescimento de 12% aumentando as impressões de suas páginas para 18 bilhões em dezembro contra um crescimento de 90% da Google que aferiu 13 bilhões de page views.

Dessa forma, a empresa de Bill Gates continua perdendo terreno na internet para a Google, após ter desenvolvido seu próprio sistema de busca em 2004 – MSN. Já em novembro, a Microsoft viu seu market share cair para 8% em buscas. Dois anos atrás, quando sua busca – MSN – foi lançada na versão beta, a empresa detinha 50% do mercado, de acordo com a Nielsen/NetRatings.

A perda de mercado na internet está refletindo diretamente nas vendas on-line da Microsoft. Durante o terceiro trimestre de 2006 (terminado no dia 30 de setembro), a receita proveniente de serviços on-line foi estimada em U$539 milhões, uma queda de 5% no ano. Nesse quesito a comparação com a Google chega a ser cruel, a empresa de Mountain View registrou um resultado de U$2,69 bilhões, um crescimento de 70% em relação ao mesmo período de 2005.

“A Google é a próxima Microsoft porque a Microsoft é a próxima IBM.” Declarou Stephen Arnold, no seu livro “The Google Legacy”. “Assim como a Microsoft superou a IBM, o Google irá superar a Microsoft”.

Os executivos da Google evitam comentar os infortúnios da Microsoft. Mas em um artigo recente escrito para a revista “The Economist”, o CEO da Google Eric Schimidt premeditou o que será do mercado on-line no futuro “os sistemas proprietários promovidos por empresas individuais que buscam um monopólio serão varridos do mercado a partir de 2007”.

“Os últimos anos nos mostrou que esse modelo de negócios, onde as empresas querem controlar os consumidores e o conteúdo não funcionam mais.”, declarou Schimidt.

Leia a parte 2


Steve Jobs ofusca a CES 2007

9 Janeiro, 2007

Enquanto o mundo da tecnologia está reunido em Las Vegas acompanhando atentamente as novidades e tendências para o ano de 2007 divulgadas na CES. O pai da Apple,  Steve Jobs, solta uma bomba de vários megatons em San Francisco, na Macworld 2007.

Certamente após o anuncio do novo iPhone todos os especialistas do mercado estão de queixo caído, boca aberta e loucos para Junho chegar logo, para adquirir o seu iPhone. Afinal quem mais dúvida do poder da Apple em inovar e reinventar, até mesmo a roda? Eu não!

De fato o iPhone deixa qualquer geek com as mãos coçando. Quem pensava que o iPod já tinha sido uma grande revolução tecnológica está hoje em estado de choque. Gostaria muito de ler os pensamentos de Bill Gates após a bomba, assim como observar o dia de trabalho amanhã lá na Microsoft.

Jobs deu uma cartada de mestre e sem blefe algum, colocou seu Royal Flush sobre a mesa. Quem banca essa aposta? Que o iPhone atingiu o estado da arte ficou claro. Mas em termos mercadológicos o que significou essa jogada? Nas minhas previsões de 2007 eu imaginei que a Web Mobile iria decolar nesse ano. Depois de hoje eu tenho certeza disso.

Além da grande novidade, do tão esperado, iPhone, algo me chamou bastante atenção no “keynote” de Jobs. Google e Yahoo! lado a lado, parece inacreditável certo? Mas é a mais pura realidade, Eric Schmidt, CEO da Google, e Jerry Yang, Co-fundador da Yahoo!, embarcaram nessa jornada lado a lado com a Apple. Enaltecendo o lançamento do iPhone e esbravejando orgulhosamente a chance de embarcar nessa jornada.

Só mesmo Jobs, o tão controverso executivo do mercado, para vender uma idéia e colocar os dois maiores concorrentes frente a frente, de mãos dadas lutando pelo seu desafio. Temos que tirar o chapéu, definitivamente.

Tantas empresas reunidas, tantos segredos e até o ultimo momento ninguém imaginava o que estava por vir. Que Bill Gates se prepare, porque além da pedra que o Google se tornou no caminho da Microsoft a Apple, hoje, demonstrou estar pronta para embarcar no futuro tecnológico e fazer historia. Por sua vez, a Yahoo!, maior aliada da Microsoft no mercado Web, pode rapidamente pular no colo de Jobs e seguir definitivamente seu caminho ao lado da Apple.


Entenda as diferenças entre Google e Yahoo! (Parte I)

27 Dezembro, 2006

A Google sem dúvida é a maior empresa do seu segmento, basta uma rápida análise em seus números e das suas concorrentes para concluir. As concorrentes da Google são uma legião, mas a mais importante de todas, ao menos no período 2004-6, é a Yahoo!. A Microsoft certamente será uma força a ser considerada lá por 2007/8, mas, hoje, a Yahoo! é a principal adversária da Google e é impressionante as duas empresas serem de fato tão semelhantes, apesar de distintas.

Dois jovens candidatos a PhD por Stanford como fundadores, um mais gregário e o outro mais reservado. Origem humilde num dormitório da escola. Um fascínio pela busca e pela vastidão da World Wide Web – um nome bobo que pegou e tornou-se sinônimo da própria Internet.

Crescimento e sucesso extraordinários, marcados por investidores de alto nível, uma oferta inicial de ações muito bem-sucedida e um valor de mercado multibilionário. Certamente, a Yahoo! compartilha de muitas características com a Google.

Mas a Yahoo! não é a Google e as diferenças entre ambas são claras. Considere os fundadores. Embora todos permaneçam nas respectivas empresas em papéis importantes, Jerry Yang e David Filo, os fundadores da Yahoo!, são discretos, preferem não receber créditos e são rápidos em delegar autoridade e responsabilidade. Eles deixam Terry Semel (CEO da Yahoo!) dirigir a empresa. Mas os rapazes da Google dirigem sua empresa com um mouse de ferro.

Os livros escritos sobre o tema (busca, Google e Yahoo!) evidenciam as diferenças. No livro The Google Story os autores citam que ao caminhar pelos corredores da Google, fica claro que Brin e Page são os patrões. Por outro lado, na Yahoo!, Filo e Yang são os fundadores e nisso esta a diferença. É difícil ser um micro gerente quando seu papel é visão à longo prazo e o CEO é uma grande força corporativa. Yang e Filo preferem deixar que Semel e seus assistentes falem de assuntos de estratégia corporativa no dia-a-dia.

Quem visita as sedes da Google e da Yahoo!, mais uma vez, tem a impressão inicial de semelhança. Ambas as empresas construíram (ou alugaram) sedes que criam um ambiente comunitário. Ambas incorporaram modernos edifícios de escritórios de três a seis andares cercados por espaços gramados com quadras de esporte. Ambas têm cafeterias espaçosas, às vezes repletas, que oferecem cardápios surpreendentemente saudáveis, com opções para centenas de jovens trabalhadores vestindo jeans e camisetas.

Mas na Yahoo!, você deve pagar por seu almoço. Na Google, ele é de graça. Por que na Yahoo! o almoço não é de graça? A Yahoo! foi posta de pernas para o ar pelos mercados e quase desapareceu como empresa. Precisou dispensar centenas de trabalhadores, consolidar sua base de custos e ver o preço de suas ações despencar de mais de US$ 500 para menos de US$ 10. Seus funcionários – aqueles que restaram – caminhavam pela sede da empresa em estado de choque, e a confiança exaurida. Em resumo, a Yahoo! viu o rosto do fracasso e foi punida pela experiência. Mas a Google nunca conheceu nada a não ser o sucesso. Até agora, a única coisa que a Google deixou de fazer foi falhar.

Outra distinção, de acordo com empreendedores e anunciantes que têm trabalhado com ambas as empresas, é que, em média, é muito mais fácil fazer negócios com a Yahoo! do que com a Google. A Yahoo! é quatro anos mais velha que a sua concorrente e esse fato sozinho pode explicar a razão – a Yahoo! simplesmente teve mais tempo para aprender a ser uma boa parceira.

Na Google, escreveu certa vez o responsável pelo desenvolvimento de um serviço ao consumidor baseado na Web, “é cansativo tentar com que qualquer coisa seja feita. É o caos. Ninguém sabe onde fica a sala de reuniões. E pessoas vitais chegam com 45 minutos de atraso. E elas ficam entrando e saindo da sala, com pessoas novas chegando a cada 20 minutos. Você precisa recomeçar tudo, pois os recém-chegados nada sabem a respeito dos objetivos da reunião.” Além disso, continuou no seu editorial escrito para a Wired, “ninguém fazia acompanhamento e , quando eu telefonava para saber como estavam as coisas em relação ao nosso acordo, era enviado para outro grupo para recomeçar o mesmo processo”.

Mas, quando o mesmo empresário visitou a Yahoo!, teve uma experiência totalmente diferente. “Todos chegaram no horário e tinham lido a respeito de minha empresa e sabiam o que queriam da reunião. Ela durou exatamente uma hora e o acompanhamento foi claro e focalizado.”

Essa é uma função da experiência, mas também da cultura. O sucesso e o crescimento excessivo geram, em qualquer empresa, um certo nível de arrogância e pensamento insular. Não faltam histórias a respeito da confusão da cultura de negócios da Yahoo! por volta de 1989-99, mas aquelas histórias empalidecem quando comparadas com o nível atingido pela Google na época de sua oferta inicial de ações na bolsa.

A Google não é estúpida; ela estava ciente desses problemas, mesmo quando continuava a criá-los. Em 2003, ela contratou Megan Smith  co-fundadora da Planet Out , e uma das pessoas mais estimadas do Vale do Silício, para ajudá-la a operar seu departamento de desenvolvimento de negócios, enquanto Shona Brown  continuava a cuidar de processos de negócios.

Quando questionada pelo jornalista John Battlelle, Brown, disse que na opinião dela, a Google havia melhorado desde que ela entrara em 2003. Sem hesitar, ela respondeu: “Parcerias. Estamos muito mais abertos e menos insulares”, disse ela. “Com isto, quero dizer que estamos trabalhando muito melhor com nossos parceiros. Entendemos que fizemos parte do ecossistema e temos de trabalhar com os outros. Essa foi uma mudança bastante positiva.”

(continua no próximo post: amanhã)


Mãozinha amiga…

21 Dezembro, 2006

No meu post do dia 13 exaltei a mãozinha dada ao Firefox 2.0 pelo Google. Nesse mesmo post deixei uma pergunta no ar. Seria possível a Microsoft conseguir a mesma ação realizada pelo Firefox no site do Google?

Ontem tive uma resposta para essa dúvida, achava que era praticamente impossível a Microsoft desfrutar do ambiente Google para se promover. Estava certo, mas em contra partida havia me esquecido do Yahoo!. Assim como existe uma grande empatia entre Google e Firefox a recíproca é verdadeira quando pensamos em Microsoft e Yahoo!

Dito e feito, ontem ao acessar o Yahoo!, para executar uma pesquisa, tive a grande surpresa. Dessa vez o evento aconteceu no meu próprio browser. Lá estava o banner, no mesmo formato e com os mesmos dizeres daquele veiculado no Google.

Só que o anunciante era outro, o Internet Explorer 7, da Microsoft. Também foi uma campanha limitada, só consegui reproduzir uma única vez no browser do trabalho, quando cheguei em casa não apareceu o banner no meu browser.

Dessa forma a Microsoft, apesar de não ter sido nada original, conseguiu minimizar seu prejuízo e, acima de tudo, demonstrou ao mercado que se o Google é parceiro do Firefox, a Yahoo! e a Microsoft desfrutam de uma parceria muito mais antiga.

Com certeza esse duelo não acabará por aqui, de quem será o próximo golpe?

yahoo
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Curtas…

15 Dezembro, 2006

Google lança busca para patentes americanas – Estreou ontem (14/12/2006)  a versão beta da nova ferramenta de busca da Google. O Google Patent Search permite ao usuário pesquisar mais de 7 milhões de patentes americanas emitidas pelo Departamento americano de Patentes e Marcas Registradas desde o ano de 1790.


Vodka.com – Foi comprado ontem – por um bilionário russo, proprietário da maior fabricante de vodca daquele país – o domínio www.vodka.com pelo valor de 3 milhões de dólares.

A aquisição do domínio faz parte da estratégia de expansão da empresa para o mercado norte-americano. O preço pago está entre os maiores já revelados em negociações de endereços genéricos da web.

Negócios milionários, envolvendo domínios, não são mais novidade na rede. Esse ano, o diamond.com foi vendido por US$ 7,5 milhões, em maio, para a rede de varejo de jóias Ice.com. O business.com foi vendido pela mesma quantia em 1999. Especula-se que o sex.com foi vendido por US$ 12 milhões para uma companhia norte-americana sediada em Boston chamada Escom.


Microsoft contra a pirataria – A consultoria IDC, que divulgou nesta semana algumas tendências tecnológicas para 2007, afirma que a guerra da Microsoft contra a pirataria pode fazer com que os usuários migrem para o sistema operacional Linux. A iniciativa do Windows Genuine Advantage (WGA) que restringe o acesso de funcionalidades para os softwares que não são originais está desmotivado os usuários a utilizarem o Windows.


Turbine seu PC se pretender usar o Office 2007 – Não é qualquer usuário que poderá usufruir o novo pacote Office 2007 da Microsoft. Encontrei no UOL Tecnologia uma matéria bastante completa sobre o novo software. Confesso que fiquei bastante surpreso quando li a parte de recomendações de configuração do hardware. O mínimo oficial exigido pela Microsoft de memória RAM é de 256MB, mas é desaconselhável migrar com menos de 512MB. Alguns dos novos recursos do Office, como a “correção contextual de ortografia”, exige nada menos que 1 GB de RAM para rodar bem.

O Office 2007 pode ser instalado apenas no Windows Vista, Windows XP (com Service Pack 2) e Windows Server 2003. As opções de personalizar a instalação são as mínimas possíveis. Diferentemente das versões anteriores do Office, agora são pouquíssimas coisas que podem ser deixadas de lado. Há casos notórios, como Powerpoint e Word, que exigem a instalação do programa com todos os adicionais, mesmo que você não use a maioria dos recursos. Mesmo instalando apenas o básico para usar no escritório, o Office 2007 tem proporções gigantescas: ocupa 1,5 GB de espaço em disco, em média. Para ter uma idéia, o Office 2003 ocupa até 500 MB de espaço, o que já é considerado bastante. A versão mais recente do Open Office, concorrente gratuito, ocupa 250 MB.

É possível instalar o Office 2007 do zero ou fazer o upgrade de versões pré-existentes. No upgrade, você tem a opção de conservar versões antigas de programas específicos. É uma boa pedida, para quem quiser manter duas versões diferentes do Word, por exemplo. A única exceção é o Outlook, que aceita apenas uma única versão instalada.

No mais o software trás diversas inovações e, deixa de lado toda a experiência de uso e interface do usuário que está acostumado com as versões anteriores. Ou seja, além de turbinar a sua máquina você deverá esquecer tudo que aprendeu nas versões anteriores e estudar tudo de novo.


Dois milhões de habitantes – A Linden Labs, empresa responsável pelo mundo virtual Second Life anunciou nesta quinta que o jogo interativo 3D chegou ao 2º milhão de usuários, menos de dois meses depois de ter atingido a marca de 1 milhão de contas.

Contudo, nem todos se tornam usuários ativos, já que muitas pessoas apenas entram no game multiplayer por curiosidade, para conhecer a sua interface e experimentar um passeio nos cenários 3D. (fonte: Estadão On-line)


Quase dois irmãos ?

13 Dezembro, 2006

Não é nenhuma novidade a “grande amizade” entre a Google e o Firefox, mas dessa vez a promoção superou todos os parâmetros já vistos e imaginados. Lendo o blog de John Battelle me deparei com a notícia que a gigante está anunciando o browser – Firefox – de uma forma um tanto quanto agressiva (veja a imagem abaixo).

Um banner – isso mesmo um banner no Google -, nas dimensões que superam as tradicionais, exibindo a seguinte frase:  “Google recommends upgrading to the new, safer Firefox 2.0. Get it now!” Sinceramente, não consegui reproduzir essa situação no meu browser, mesmo apertando centenas de vezes o F5 do meu teclado. Corre pelos blogs da Internet que é uma produção limitada, exibida aleatoriamente.

A pergunta que faço é a seguinte: Será que existe alguma quantia nesse mundo que a Microsoft possa pagar por uma ação desse tipo no site mais acessado da internet? A quantia pode até existir, a Microsoft deve certamente dispor da verba para isso, contudo a grande dúvida é; será que a Google aceitaria a proposta?

Creio que  esse tenha sido um belo ataque à empresa de Bill Gates. E faço minha aposta, em 2007 a Google arrematará o Firefox no mesmo estilo que arrematou o YouTube. Basta apenas especular quantos bilhões de dólares a empresa está disposta a desembolsar.

Enquanto isso a Google vai engordando seu boi e, o Firefox aumentando seu market share.