Será o Google a próxima Microsoft (Parte 2 de 2)

18 Janeiro, 2007

Apesar da Microsoft estar perdendo o confronto direto com a Google, no mercado on-line, não se pode subestimar a empresa de Bill Gates.

Mudanças de rumo

O CEO da Microsoft, Steve Balmer, e o Chairman, Bill Gates, continuam acreditando na habilidade da empresa em inovar, investindo em novas funcionalidades para o seu sistema operacional, desenvolvendo novos aplicativos, assim como investindo no mercado de videogames.

“Para a Microsoft esse ano é um grande marco, muitos produtos que estamos desenvolvendo por anos estão finalizados e devem ser introduzidos no mercado”.Declarou Bill Gates no seu “keynote” na abertura da CES 2007 – Consumer Eletronics Show – realizada semana passada em Las Vegas.

Durante a palestra de Gates, um funcionário da Microsoft demonstrou o Virtual Earth, tido como um exemplo na inovação que a empresa pretende introduzir durante o ano. Utilizando o Xbox o funcionário voou em uma réplica 3D da cidade de Las Vegas, projetada no telão.

“Isso é muito divertido e também muito prático”. Disse Justin Hutchinson, o funcionário que realizou a demonstração durante a palestra do Chairman da Microsoft. “Se sou um novo habitante, ou visitante da cidade, posso ter um senso de direção visualizando virtualmente onde estão as atrações de Las Vegas”, disse Gates.

No entanto, mesmo as pessoas que elogiaram o produto desconfiam que as funcionalidades disponíveis excedem as necessidades do consumidor médio.  “Parece que para as finalidades práticas da maioria dos consumidores ferramentas em 2D, que indicam a direção precisamente e detalhadamente, supram as atuais necessidades”. Escreveu Walter Pritchard, um analista da Cowen & Co.

Steve Berkowitz, ex CEO da Ask.com, foi contratado pela Microsoft em abril de 2006 para operacionalizar esse tipo de serviço on-line, falou para o jornal “Mercury News” que a empresa precisa focar mais no que o consumidor deseja em relação as novas tecnologias.

“…é muito ao redor da idéia de modificar o pensamento”, disse Barkowitz, que tem a credibilidade por ter ressuscitado a Ask depois que a empresa quase faliu com a bolha da internet em 2000. “A tecnologia é o inicio, e a experiência do usuário é o que temos que focar”.

A crítica, cuidadosamente, exposta por Berkowitz é repetida pelos especialistas em marketing baseado em ferramentas de busca que estão tendo dificuldades em utilizar o novo aplicativo para a gestão de campanhas publicitárias on-line lançado pela Microsoft, o AdCenter.

Sherry Mao, gerente de marketing em buscas da Coremetrics, uma empresa que auxilia os anunciantes a gerenciar e mensurar o resultado de suas campanhas on-line, disse que seus clientes estão gostando da taxa de conversão (impressões x cliques) aferida no AdCenter. Muitas vezes o resultado obtido utilizando o aplicativo da Microsoft atinge até cinco vezes mais do que o AdWord, da Google.

Contudo, Mao relatou que o sistema da Microsoft é muito mais complexo que o da concorrente e pode demandar horas para a criação de uma campanha, enquanto que no AdWords o anunciante realiza essa tarefa em minutos. “O processo é muito manual e demanda um tempo muito grande para ser configurado”.

Continuando com as análises de Sherry Mao, segundo ela a Microsoft impressionou de forma positiva os executivos da Coremetrics oferecendo uma equipe especializada para ser alocada na empresa e instruir como tirar maior proveito do sistema. 

Mas mesmo com um software superior, se a Microsoft não mostrar resultados, consistentes, no aumento de tráfego a batalha frente o Google continuará longe de ser vencida.“Temos que atingir a massa critica”, escreveu Berkowitz.

Além de contratar Berkowitz, a Microsoft tem tomado medidas drásticas para ajustar o curso da sua estratégica em produtos on-line.

As apostas também estão no “Live”

Em junho de 2006 um renomado forasteiro, Ray Ozzie, o criador do Lotus Notes da IBM, foi contratado para o posto de Diretor de Arquitetura de Softwares – cargo até então ocupado por Bill Gates. Ozzie defendeu as idéias elaboradas para os serviços “Live”, ou aplicativos que tinha suas funções essencialmente baseadas na internet, utilizando API´s nas quais desenvolvedores externos pudessem aproveitar a “base” para construir aplicações, como já havia sido utilizado anteriormente com Windows, no caso das DLL´s.

A Microsoft teve que modificar a sua metodologia de desenvolvimento de softwares, adotando métodos mais ágeis de programação, nos quais enfatizava pequenas equipes e produtos comercializáveis a curto prazo, minimizando os longos processos de planejamento. “Implantamos uma metodologia de desenvolvimento ágil e sem muitas burocracias, na intenção de entregar mais produtos em menos tempo. Assim, maximizamos nossas receitas e vantagens estratégicas no posicionamento de mercado”. Declarou Ozzie.

Nas novas áreas, como serviços para telefonia móvel que conectam a internet, a Microsoft ainda leva vantagem em relação ao Google. De acordo com a Telephia, uma firma de pesquisas, 3,7% dos proprietários de telefones móveis nos EUA acessaram o site da Microsoft em 2006, contra 3,5% que visitaram o serviço on-line da Google.

Mas até mesmo nessa área a, tão poderosa, Microsoft não ocupa a liderança. Kanishka Agarwal, vice-presidente da Telephia, escreveu recentemente para a revista Forbes que a Yahoo! detem a o primeiro lugar nesse segmento com 5,9% dos usuários graças aos acessos provenientes do Yahoo! mail.

O ponto chave que a Microsoft perdeu, disse Alan Wiener, um analista técnico veterano, foi o ponto focal que era incorporado por Bill Gates. O cargo de CEO foi delegado a Balmer, em janeiro de 2000, e Gates continuou profundamente engajado como responsável pela Arquitetura de Software até junho, quando foi substituído por Ozzie.

A retirada gradual do micro-gerente da Microsoft esta causando sérios problemas de integração entre os produtos da empresa. Por exemplo, o Zune, aparelho reprodutor de musicas e vídeos inicialmente não eram carregados com vídeos do serviço Soapbox. Já o Xbox tem a funcionalidade de enviar mensagens instantâneas, contudo a ferramenta não está integrada com o MSN que roda no PC.

A Microsoft se justifica declarando que esta trabalhando para integrar todas as suas tecnologias para criar uma experiência simples e poderosa ao usuário.

“A idéia de experiências integradas deve evoluir com o que iremos disponibilizar ao longo desse ano de 2007”. Declarou Bill Gates no seu “keynote” da última semana, na CES. “Nós podemos adicionar essas incríveis melhoras no hardaware, nos podemos ter um novo tipo de conteúdo que sempre será desenvolvido focando a interatividade, nos podemos ter esse aplicativo poderoso… nos podemos ter tudo isso e atingir o próximo nível”.

“Não subestime a Microsoft”, concluí Weiner.

Enquanto isso em Moutain View…

Enquanto a Microsoft quebra a cabeça para afastar o fantasma Google de seus sonhos, a empresa de Mountain View continua a prosperar e aumentar, ainda mais, seu domínio na Internet.

Aparentemente a Google começa a faturar U$0,20, proveniente de receitas publicitárias, por cada busca realizada em seu site, de acordo com o analista Tim Boyd da Caris & Co., escrito em um recente artigo na BusinessWeek.

Utilizando os dados disponibilizados pela comScore, Boyd estimou que a Yahoo! faturou em média 10 à 20 centavos de dólar por cada busca realizada no seu site em 2006, totalizando um faturamento de U$1.61 bilhões nos primeiros nove meses do ano. Utilizando a mesma fórmula o analista concluiu que a Google faturou entre 19 e 21 centavos de dólar em cada busca, totalizando U$4,99 bilhões no mesmo período.

O crescimento da Google foi incrível se comparado com os U$0,10 de dois anos atrás. O artigo da BusinessWeek também relata a dificuldade do Yahoo! em monetizar os page views que não são provenientes de buscas, além do potencial de alavancar a veiculação de anúncios direcionados a um público específico em páginas que não são de buscas.

Dessa forma fica claro que todo o mercado corre atrás do prejuízo que o sucesso da Google vem causando. Em todas as frentes os executivos das principais empresas Web traçam estratégias para retomar o crescimento de suas respectivas empresas que perdem mercado, essencialmente para a Google.

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Steve Jobs ofusca a CES 2007

9 Janeiro, 2007

Enquanto o mundo da tecnologia está reunido em Las Vegas acompanhando atentamente as novidades e tendências para o ano de 2007 divulgadas na CES. O pai da Apple,  Steve Jobs, solta uma bomba de vários megatons em San Francisco, na Macworld 2007.

Certamente após o anuncio do novo iPhone todos os especialistas do mercado estão de queixo caído, boca aberta e loucos para Junho chegar logo, para adquirir o seu iPhone. Afinal quem mais dúvida do poder da Apple em inovar e reinventar, até mesmo a roda? Eu não!

De fato o iPhone deixa qualquer geek com as mãos coçando. Quem pensava que o iPod já tinha sido uma grande revolução tecnológica está hoje em estado de choque. Gostaria muito de ler os pensamentos de Bill Gates após a bomba, assim como observar o dia de trabalho amanhã lá na Microsoft.

Jobs deu uma cartada de mestre e sem blefe algum, colocou seu Royal Flush sobre a mesa. Quem banca essa aposta? Que o iPhone atingiu o estado da arte ficou claro. Mas em termos mercadológicos o que significou essa jogada? Nas minhas previsões de 2007 eu imaginei que a Web Mobile iria decolar nesse ano. Depois de hoje eu tenho certeza disso.

Além da grande novidade, do tão esperado, iPhone, algo me chamou bastante atenção no “keynote” de Jobs. Google e Yahoo! lado a lado, parece inacreditável certo? Mas é a mais pura realidade, Eric Schmidt, CEO da Google, e Jerry Yang, Co-fundador da Yahoo!, embarcaram nessa jornada lado a lado com a Apple. Enaltecendo o lançamento do iPhone e esbravejando orgulhosamente a chance de embarcar nessa jornada.

Só mesmo Jobs, o tão controverso executivo do mercado, para vender uma idéia e colocar os dois maiores concorrentes frente a frente, de mãos dadas lutando pelo seu desafio. Temos que tirar o chapéu, definitivamente.

Tantas empresas reunidas, tantos segredos e até o ultimo momento ninguém imaginava o que estava por vir. Que Bill Gates se prepare, porque além da pedra que o Google se tornou no caminho da Microsoft a Apple, hoje, demonstrou estar pronta para embarcar no futuro tecnológico e fazer historia. Por sua vez, a Yahoo!, maior aliada da Microsoft no mercado Web, pode rapidamente pular no colo de Jobs e seguir definitivamente seu caminho ao lado da Apple.


Entenda as diferenças entre Google e Yahoo! (Parte IV – Final)

30 Dezembro, 2006

No fim, ambas as empresas estão no mesmo negócio. A maior parte dos especialistas se fosse forçado a defini-lo com uma palavra, diriam que é mídia. Sim, a Google começou sua vida como um algoritmo em um programa de PhD e a Yahoo! começou como um guia editado para a Web, mas elas estão claramente convergindo para o mesmo espaço; elas são intermediárias de informações e serviços para consumidores e obtem valor com esses serviços usando os fluxos tradicionais de receita do ramo de mídia – propaganda e assinaturas. Para Brin (co-criador) a cobrança de taxas de orientação para usuários não é algo muito longe da realidade da Google.

Devido ao seu DNA de mídia, a Yahoo! está claramente mais à vontade com obtenção de um valor justo pelos serviços de mídia prestados e, por esse fato, acredita-se que ela, a Yahoo, tenha sido mais livre em sua abordagem à busca. Como escreveu recentemente um executivo da Yahoo! para a revista Forbes: “Estamos inteiramente focalizados na conclusão de tarefas.” Em outras palavras, se a tarefa em pauta é a compra de um CD, ou verificar um vôo, ou encontrar um restaurante local, a Yahoo! tem inovado repetidamente na construção de uma comitiva de resultados de busca que ajudam o consumidor a concluir a tarefa e, no processo, remunerar a Yahoo!.

Quando o assunto é concluir tarefas, a Google faz o mesmo em muitos casos, mas a empresa sente-se pouco à vontade com a idéia de ligar comércio aos seus produtos de mídia – ela resiste em ganhar dinheiro sobre o valor criado de qualquer maneira que não seja o AdWords (e inicialmente resistiu até a isto). Dois exemplos são o News, em que não há modelo de negócios, e o Froogle, onde o único modelo é o AdWords. De certa forma, esta reticência impede a inovação no espaço dos resultados da busca.

Se o consumidor realmente quer fazer compras, ou navegar por resultados de notícias de alta qualidade, e você prestar um ótimo serviço nesse sentido, não há vergonha em ganhar dinheiro com isso, mesmo que esse dinheiro não seja ganho com propaganda (por exemplo, fechando acordos com editores de músicas ou notícias, ou convencendo seus consumidores a comprar um serviço especial).

A Google certamente é uma grande empresa de mídia. E as cartas que ela tem, combinadas com as providências que tomou recentemente, indicam que ela será no futuro uma força ainda maior em mídia. Um caso em questão é o Google Print, a medida que o programa se expande, surge uma série de perguntas. Como a Google irá ganhar dinheiro com livros cujos direitos autorais caducaram? Ao trazer para a Web seu índice de centenas de milhares de livros esgotados, ela irá permitir que outros acessem e indexem essa nova coleção de tesouros, ou agirá mais como uma empresa de mídia tradicional, que “possui” esses recursos para seu próprio uso?

Como ela irá escolher o que trazer para o índice? Irá começar por aqueles que poderão vender melhor, ou por aqueles que, de alguma forma, considerar “bons para o mundo”? Com relação a livros ativos, ela irá se limitar a ser exclusivamente uma ferramenta organizacional apoiada pelo AdWords, ou começará a cobrar uma porcentagem das vendas dos livros comercializados por meio do serviço Google Print? E o modelo para livros será estendido à televisão, filmes ou música?

A busca orgânica pura fez da Google o que ela é e permanece como o verdadeiro norte da empresa. Na Yahoo!, a busca orgânica pura é vista como uma opção (extremamente importante) entre os vários serviços relacionados a buscas oferecidos pela empresa. Quando você entra com um termo de busca, os resultados orgânicos puros estão sempre lá, mas também estão outros serviços desenvolvidos pela Yahoo! em resposta ao objetivo implícito do termo digitado.

No inicio de 2005, a American Online, uma parceira da Google, anunciou uma nova estratégia de busca que se alinhava com a abordagem da Yahoo. Não por acaso, a AOL é de propriedade da Time Warner, uma empresa de mídia. Quando as empresas como a Google e a Yahoo! passam a ser intermediarias de conteúdos como livros e vídeos, o que acontece com empresas como a Amazon? Pensando um pouco nisso, torna-se obvio por que a Amazon está ocupada aperfeiçoando o A9.com, sua própria ferramenta de busca.

A busca movimenta o comércio, e este movimenta a busca. Os dois extremos estão se encontrando no meio de forma inexorável e todo grande participante da Internet, da eBay à Microsoft, quer estar dentro. A Google pode ser a melhor em busca por enquanto, mas, no futuro, isso certamente não bastará.


Entenda as diferenças entre Google e Yahoo! (Parte III)

29 Dezembro, 2006

À medida Google e Yahoo! vão em frente com novos dispositivos e serviços, espero que essas distinções se manifestem de forma interessantes e importantes. Ambas as abordagens têm seus méritos, ambas têm seu sucesso e irão continuar a ter. Mas espere alguma tensão nos próximos anos, em particular com relação ao conteúdo.

Por exemplo, no final de 2004, a Google anunciou que iria incorporar milhões de textos de bibliotecas ao seu índice, mas não fez declarações a respeito do papel que a empresa poderia desempenhar na venda desses textos. Um mês depois, a Google lançou um serviço de busca em vídeo, mas, mais uma vez manteve o silêncio sobre como poderia participar da venda de programas de televisão e filmes na Internet. Nesse ano, 2006, a Google arrematou o YouTube em uma transação bilionária e, mais uma vez, fez mistério de seus objetivos.

A Google está claramente no processo de declarar sua posição em relação à indústria do conteúdo e ela parece ser a seguinte: nós iremos nos tornar patrocinadores de sua distribuição. Seremos o meio campo – permita que indexemos seu conteúdo e, quando as pessoas o encontrarem por meio de nós, possibilitaremos que você o venda. – Esta abordagem, tornou-se mais evidente com a discussão e a revelação de uma solicitação de patente de 2004 em nome da Google, que cria um sistema pelo qual a mídia é descoberta e paga.

Nesse sistema, pode-se imaginar que a Google tem ou fará acordos com muitos proprietários de conteúdo e irá, de algum modo, incorporar esse conteúdo ao seu índice (dizem que a empresa está fazendo exatamente isso, mas recusa-se a comentar). Quando você busca alguma coisa, o conteúdo que alguém criou virá nos resultados e, graças aos acordos de distribuição fechados pela Google, você poderá comprar imediatamente esse conteúdo. Todos são pagos!

É claro que, com a Yahoo!, isso já acontece. Mas para a Google, o ato de se colocar na posição de intermediaria de mídia é uma abertura perigosa – em particular porque seu DNA corporativo evita o todo-poderoso dólar como arbitro de qual conteúdo pode ir para o topo da página em uma determinada busca. O papel de intermediária significa que, no contexto de alguém em busca de um filme, a Google irá determinar o resultado mais relevante para termos como “comédia vulgar”, “musical romântico” ou “filme de Jack Chan”.

Para músicas, significa que a Google irá determinar qual fica em primeiro lugar para Britney Spears, mas também significa que ela terá que determinar o que deverá vir em primeiro lugar quando alguém esta buscando “hip-hop”. Quem consegue ser o primeiro nesse sistema? Quem fica com o tráfego, o negócio, o lucro? No mundo real, a resposta é clara: quem pagar mais terá o melhor posicionamento, seja na prateleira do supermercado ou no caixa da loja de discos.

Quando a Yahoo! também se tornar uma super-distribuidora de conteúdo de mídia, não resta dúvida que a empresa irá descobrir alguma maneira para indexar e distribuir conteúdo de mídia moderado pelas tradicionais forças de mercado de quem paga mais e qual é o mais popular.

No entanto, é mais provável que a Google tente surgir com uma solução tecnológica inteligente que procure determinar a resposta mais “objetiva” para qualquer termo, seja ele “comédia romântica” ou “hip-hop”. Talvez a classificação venha a ser baseada em alguma mistura de PageRank, estatísticas de download e Deus sabe o que mais, mas uma coisa será certa: a Google nunca dirá como chegou aos resultados que oferece.

Mas isto cria uma espécie de dilema em termos de ganhar dinheiro. Será que Hollywood estará realmente disposta a confiar na Google para distribuir e vender seu conteúdo na ausência da verdadeira metodologia do mundo comercial: dinheiro duro e frio?

(continua no próximo post: amanhã)


Entenda as diferenças entre Google e Yahoo! (Parte II)

28 Dezembro, 2006

Google e Yahoo! diferem em mais do que apenas na cultura de negócios. Elas também diferem na abordagem ao aplicativo central que traz lucros – a busca. Considere uma busca, qualquer, feita tanto no Google quanto no Yahoo!, no final de 2006.

No Google, uma busca lhe traz um conjunto bastante previsível de resultados relacionados a palavra-chave digitada. Quando a palavra se refere à um acontecimento muito popular, aparece muito nos noticiários, a Google incorpora algumas matérias do Google News sobre ele aos seus resultados. No lado direito, há AdWords ligados a palavra. Porém, a maior parte da página é dedicada à listagem dos 10 mais altos resultados para a palavra-chave.

Geralmente os três primeiros resultados são claramente relevantes a palavra-chave digitada. O restante da primeira página de resultados mistura links com termos que também são relevantes a palavra mas não são os que estão sendo procurados no momento. Parece que existe uma espécie de algoritmo de diversificação em funcionamento por trás das cortinas do Google. Se a ferramenta escolhesse puramente por popularidade e conexões, as primeiras centenas de resultados seriam provavelmente a respeito do significado primário da palavra digitada.

Mas em termos de explorar a intenção por trás do termo de busca o Google só vai até esse ponto. Com exceção do Google News, a empresa oferece muita pouca orientação editorial. O usuário é direcionado para o website e mais nada.

Em contraste, considere como o Yahoo! efetua a mesma busca. A digitação de alguma palavra-chave no Yahoo! Search também dá seu significado primário como primeiros resultados orgânicos, mas as semelhanças acabam ai.

A primeira coisa que o usuário enxerga abaixo da caixa de busca é o dispositivo da Yahoo! “tente também”, perguntando se o usuário pode estar em busca de uma versão mais refinada de uma busca para a palavra. Talvez esteja buscando a letra de uma determinada canção, ou imagens, ou mais informações sobre o algum fato específico. Este dispositivo é movido pela decisão editorial da Yahoo! de observar aquilo que seus usuários estão buscando e conectar os padrões que identifica.

Por trás da cortina, o Yahoo! elabora listas de buscas afins e exibe as mais relevantes. De acordo com a opinião de especialista e os próprios funcionários da Yahoo!, o dispositivo “tente também”, é um grande sucesso junto aos usuários.
Abaixo do “tente também” há dois resultados de patrocinadores (também existem muitas conexões pagas à direita, assim como na Google). Isto reflete a abordagem mais agressiva da Yahoo! à comercialização em todo o seu site.

Em todas as declarações, entrevistas, reports e outros documentos encontrados provenientes de executivos da Yahoo!, observa-se um visível orgulho quando se trata de comércio: integrar o comércio diretamente ao processo de busca é visto mais como um benefício do que como um prejuízo. A premissa usada é que a propaganda é de fato relevante e até mesmo útil para o usuário (premissa que também é usada pela Google, mas de forma quase apologética).

A prática de listar resultados patrocinados no topo da página ocorre em mais buscas no Yahoo! do que no Google, mas ela também ocorre no Google: uma busca por câmeras digitais, por exemplo, traz listagens pagas no topo dos resultados de busca pagos no topo, que muitos consideram causadora de confusão para os usuários, deixou de ser usada na Google, mas ela claramente persiste embora de forma limitada.

Continuando com os resultados da Yahoo!, vemos a seguir uma distinção vital entre as maneiras como Yahoo! e Google lidam com os objetivos de seus usuários: o atalho de busca do Yahoo!. O atalho é a tentativa do Yahoo! de trazer todas as informações mais pertinentes a respeito da palavra-chave no mesmo lugar e momento, de forma a permitir rapidamente que o usuário declare e execute seu objetivo. Em cerca de quatro linhas, o resultado atalho oferece a página referente à busca nas próprias ferramentas da Yahoo como: no Launch (serviço de música da Yahoo!), fotos, vídeos  e a possibilidade de comprar (no Yahoo! Shopping).

Os resultados do Yahoo! News também são incorporados. O atalho inteiro é marcado por um pequeno “Y!” vermelho, para que o usuario saiba que este resultado em particular provém do critério editorial da própria Yahoo!, e não da Web. Finalmente, vêm os resultados orgânicos do Yahoo!. É interessante notar que, com Yahoo!, há muito menos diversidade nos 10 primeiros resultados.

O Yahoo! não pretende ser objetivo com seus atalhos – ele está claramente direcionando os usuários para seus próprios serviços, editoriais, os quais, para ele podem atender ao objetivo da busca. Na verdade, o Yahoo! está dizendo: “Você está procurando algum material específico? Nós temos esse material, e ele é bom. Tente aquilo que sugerimos, achamos que valerá seu tempo.”.

Está evidente nesse sentimento uma distinção-chave entre Google e Yahoo. A Yahoo está muito mais disposta a ter agendas editoriais e comerciais abertas e permitir que seres humanos intervenham nos resultados de busca de forma a criar mídia que suporte essas agendas.

A Google, por outro lado, é avessa à idéia de se tornar uma empresa movida por conteúdo ou editorialmente. Apesar de ambas poderem alegar que sua missão é “organizar as informações do mundo e torna-las acessíveis” (embora somente a Google afirme isso em sua missão), elas abordam a tarefa com posturas amplamente diferentes. A Google vê o problema como podendo ser resolvido principalmente com tecnologia – os algoritmos inteligentes e a potência computacional irão prevalecer. Os seres humanos entram no quadro da busca somente quando falham os algoritmos – e, mesmo assim, com relutância.

Mas a Yahoo! sempre viu o problema como sendo um em que os seres humanos, com todos os seus vieses e seu brilho, são parte integral da solução. São os seres humanos, apoiados pela tecnologia, que direcionam os resultados “tente também” no topo da página (o processo foi automatizado, mas trata-se de uma arquitetura clássica de participação: “eis o que os outros seres humanos consideram útil com relação à sua busca”).

São seres humanos, apoiados por tecnologia, que empurram para frente o conteúdo interno e os sites comerciais da Yahoo! nos resultados do atalho. O DNA tem muito a ver com isso: a Yahoo! começou como um conjunto inteiramente subjetivo de conexões, e os primeiros anos da Yahoo! foram dominados por seu diretório editado por humanos. Os seres humanos vêm em primeiro lugar, a tecnologia, em segundo.

A Google, a seu turno começou com um algoritmo extremamente inteligente, que resolveu um problema matemático inflexível e repetitivo. Tecnologia em primeiro lugar; humanos, em segundo. Ao longo dos últimos quatro anos, a Google mudou nesta frente – se em 2002 alguém perguntasse a qualquer um lá (na Google) se aquela empresa era de mídia ou de tecnologia, a resposta sempre seria tecnologia.

Pergunte hoje, e a resposta irá depender de para quem você pergunta. Mas o mais longe que até mesmo a pessoa mais conhecedora de mídia na Google irá, será responder “Somos uma empresa de tecnologia movida por mídia.” Na Yahoo!, todos entendem que ele é uma grande participante no negócio de mídia, de Terry Semel até embaixo.

(continua no próximo post: amanhã)


Entenda as diferenças entre Google e Yahoo! (Parte I)

27 Dezembro, 2006

A Google sem dúvida é a maior empresa do seu segmento, basta uma rápida análise em seus números e das suas concorrentes para concluir. As concorrentes da Google são uma legião, mas a mais importante de todas, ao menos no período 2004-6, é a Yahoo!. A Microsoft certamente será uma força a ser considerada lá por 2007/8, mas, hoje, a Yahoo! é a principal adversária da Google e é impressionante as duas empresas serem de fato tão semelhantes, apesar de distintas.

Dois jovens candidatos a PhD por Stanford como fundadores, um mais gregário e o outro mais reservado. Origem humilde num dormitório da escola. Um fascínio pela busca e pela vastidão da World Wide Web – um nome bobo que pegou e tornou-se sinônimo da própria Internet.

Crescimento e sucesso extraordinários, marcados por investidores de alto nível, uma oferta inicial de ações muito bem-sucedida e um valor de mercado multibilionário. Certamente, a Yahoo! compartilha de muitas características com a Google.

Mas a Yahoo! não é a Google e as diferenças entre ambas são claras. Considere os fundadores. Embora todos permaneçam nas respectivas empresas em papéis importantes, Jerry Yang e David Filo, os fundadores da Yahoo!, são discretos, preferem não receber créditos e são rápidos em delegar autoridade e responsabilidade. Eles deixam Terry Semel (CEO da Yahoo!) dirigir a empresa. Mas os rapazes da Google dirigem sua empresa com um mouse de ferro.

Os livros escritos sobre o tema (busca, Google e Yahoo!) evidenciam as diferenças. No livro The Google Story os autores citam que ao caminhar pelos corredores da Google, fica claro que Brin e Page são os patrões. Por outro lado, na Yahoo!, Filo e Yang são os fundadores e nisso esta a diferença. É difícil ser um micro gerente quando seu papel é visão à longo prazo e o CEO é uma grande força corporativa. Yang e Filo preferem deixar que Semel e seus assistentes falem de assuntos de estratégia corporativa no dia-a-dia.

Quem visita as sedes da Google e da Yahoo!, mais uma vez, tem a impressão inicial de semelhança. Ambas as empresas construíram (ou alugaram) sedes que criam um ambiente comunitário. Ambas incorporaram modernos edifícios de escritórios de três a seis andares cercados por espaços gramados com quadras de esporte. Ambas têm cafeterias espaçosas, às vezes repletas, que oferecem cardápios surpreendentemente saudáveis, com opções para centenas de jovens trabalhadores vestindo jeans e camisetas.

Mas na Yahoo!, você deve pagar por seu almoço. Na Google, ele é de graça. Por que na Yahoo! o almoço não é de graça? A Yahoo! foi posta de pernas para o ar pelos mercados e quase desapareceu como empresa. Precisou dispensar centenas de trabalhadores, consolidar sua base de custos e ver o preço de suas ações despencar de mais de US$ 500 para menos de US$ 10. Seus funcionários – aqueles que restaram – caminhavam pela sede da empresa em estado de choque, e a confiança exaurida. Em resumo, a Yahoo! viu o rosto do fracasso e foi punida pela experiência. Mas a Google nunca conheceu nada a não ser o sucesso. Até agora, a única coisa que a Google deixou de fazer foi falhar.

Outra distinção, de acordo com empreendedores e anunciantes que têm trabalhado com ambas as empresas, é que, em média, é muito mais fácil fazer negócios com a Yahoo! do que com a Google. A Yahoo! é quatro anos mais velha que a sua concorrente e esse fato sozinho pode explicar a razão – a Yahoo! simplesmente teve mais tempo para aprender a ser uma boa parceira.

Na Google, escreveu certa vez o responsável pelo desenvolvimento de um serviço ao consumidor baseado na Web, “é cansativo tentar com que qualquer coisa seja feita. É o caos. Ninguém sabe onde fica a sala de reuniões. E pessoas vitais chegam com 45 minutos de atraso. E elas ficam entrando e saindo da sala, com pessoas novas chegando a cada 20 minutos. Você precisa recomeçar tudo, pois os recém-chegados nada sabem a respeito dos objetivos da reunião.” Além disso, continuou no seu editorial escrito para a Wired, “ninguém fazia acompanhamento e , quando eu telefonava para saber como estavam as coisas em relação ao nosso acordo, era enviado para outro grupo para recomeçar o mesmo processo”.

Mas, quando o mesmo empresário visitou a Yahoo!, teve uma experiência totalmente diferente. “Todos chegaram no horário e tinham lido a respeito de minha empresa e sabiam o que queriam da reunião. Ela durou exatamente uma hora e o acompanhamento foi claro e focalizado.”

Essa é uma função da experiência, mas também da cultura. O sucesso e o crescimento excessivo geram, em qualquer empresa, um certo nível de arrogância e pensamento insular. Não faltam histórias a respeito da confusão da cultura de negócios da Yahoo! por volta de 1989-99, mas aquelas histórias empalidecem quando comparadas com o nível atingido pela Google na época de sua oferta inicial de ações na bolsa.

A Google não é estúpida; ela estava ciente desses problemas, mesmo quando continuava a criá-los. Em 2003, ela contratou Megan Smith  co-fundadora da Planet Out , e uma das pessoas mais estimadas do Vale do Silício, para ajudá-la a operar seu departamento de desenvolvimento de negócios, enquanto Shona Brown  continuava a cuidar de processos de negócios.

Quando questionada pelo jornalista John Battlelle, Brown, disse que na opinião dela, a Google havia melhorado desde que ela entrara em 2003. Sem hesitar, ela respondeu: “Parcerias. Estamos muito mais abertos e menos insulares”, disse ela. “Com isto, quero dizer que estamos trabalhando muito melhor com nossos parceiros. Entendemos que fizemos parte do ecossistema e temos de trabalhar com os outros. Essa foi uma mudança bastante positiva.”

(continua no próximo post: amanhã)


Mãozinha amiga…

21 Dezembro, 2006

No meu post do dia 13 exaltei a mãozinha dada ao Firefox 2.0 pelo Google. Nesse mesmo post deixei uma pergunta no ar. Seria possível a Microsoft conseguir a mesma ação realizada pelo Firefox no site do Google?

Ontem tive uma resposta para essa dúvida, achava que era praticamente impossível a Microsoft desfrutar do ambiente Google para se promover. Estava certo, mas em contra partida havia me esquecido do Yahoo!. Assim como existe uma grande empatia entre Google e Firefox a recíproca é verdadeira quando pensamos em Microsoft e Yahoo!

Dito e feito, ontem ao acessar o Yahoo!, para executar uma pesquisa, tive a grande surpresa. Dessa vez o evento aconteceu no meu próprio browser. Lá estava o banner, no mesmo formato e com os mesmos dizeres daquele veiculado no Google.

Só que o anunciante era outro, o Internet Explorer 7, da Microsoft. Também foi uma campanha limitada, só consegui reproduzir uma única vez no browser do trabalho, quando cheguei em casa não apareceu o banner no meu browser.

Dessa forma a Microsoft, apesar de não ter sido nada original, conseguiu minimizar seu prejuízo e, acima de tudo, demonstrou ao mercado que se o Google é parceiro do Firefox, a Yahoo! e a Microsoft desfrutam de uma parceria muito mais antiga.

Com certeza esse duelo não acabará por aqui, de quem será o próximo golpe?

yahoo
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