Será o Google a próxima Microsoft? (Parte 1 de 2)

16 Janeiro, 2007

Estratégias baseadas no controle dos usuários e no monopólio refletem diretamente na perda de mercado da Microsoft frente a Google.

A Microsoft pode ter despendido anos no desenvolvimento do Windows Vista, gerando um longo atraso para o lançamento da nova versão do sistema operacional, mas quando Bill Gates apresentou o plano para e, finalmente, minar o domínio do Google – na Internet – ele disponibilizou apenas 100 dias aos engenheiros da empresa.

Gates delegou a Stephen Lawler, líder da recém formada equipe de desenvolvimento do Virtual Earth, a responsabilidade de não permitir atrasos seguindo a risca o cronograma estipulado para dois anos de desenvolvimento do produto.

Contudo os esforços não foram suficientes, a equipe de Redmond (sede da Microsoft) perdeu a corrida para os programadores de Moutain View e assim a Google saiu na frente lançando o Google Earth antes da concorrente.

Durante o último ano a Microsoft lançou alguns aplicativos web. Além do, muito elogiado, Virtual Earth um software em 3D que retrata fielmente as maiores cidades do planeta, a empresa disponibilizou outros serviços on-line: seu novo portal – o Live, o portal de vídeos, classificados on-line, serviço de e-mail para celular e sua rede social (o Microsoft Space). Talvez o serviço mais importante, lançado em maio de 2006, tenha sido seu novo AdCenter que possibilitaria a empresa monetizar a partir dos serviços on-line oferecidos.

O resultado da demora: O número de usuários dos seus serviços on-line ficou longe das metas estipuladas devido aos atrasos no desenvolvimento dos produtos, a Google saiu na frente lançando produtos semelhantes antes da Microsoft. As vendas de anúncios não tiveram sucesso, enquanto o tráfego e as vendas de anúncios da Google continuaram a crescer vertiginosamente.
“Ainda é muito cedo!”

Os principais executivos da Microsoft dizem que estão trabalhando com uma visão de longo prazo. “Nós ficamos satisfeitos quando disponibilizamos os serviços certos no lugar certo, a equipe certa no lugar certo terá sucesso, mas é muito precipitado tentar ocupar todos os espaços disponíveis nesse momento.”, declarou Adam Sohn, diretor de vendas e marketing para os serviços on-line.

Otimismo corporativo à parte, os resultados recentes e oficiais são bastante alarmantes.

De acordo com a comScore Media Metrix, o número total de visitantes únicos que acessou os sites da Microsoft – nos EUA – em dezembro de 2006 superou os 117 milhões, um nível de crescimento igual a zero comparado com o ano anterior. Já a Google obteve a audiência de 113 milhões de usuários únicos, um crescimento de 21% comparado com dezembro de 2005. Em relação ao número de Page Views, a Microsoft teve um crescimento de 12% aumentando as impressões de suas páginas para 18 bilhões em dezembro contra um crescimento de 90% da Google que aferiu 13 bilhões de page views.

Dessa forma, a empresa de Bill Gates continua perdendo terreno na internet para a Google, após ter desenvolvido seu próprio sistema de busca em 2004 – MSN. Já em novembro, a Microsoft viu seu market share cair para 8% em buscas. Dois anos atrás, quando sua busca – MSN – foi lançada na versão beta, a empresa detinha 50% do mercado, de acordo com a Nielsen/NetRatings.

A perda de mercado na internet está refletindo diretamente nas vendas on-line da Microsoft. Durante o terceiro trimestre de 2006 (terminado no dia 30 de setembro), a receita proveniente de serviços on-line foi estimada em U$539 milhões, uma queda de 5% no ano. Nesse quesito a comparação com a Google chega a ser cruel, a empresa de Mountain View registrou um resultado de U$2,69 bilhões, um crescimento de 70% em relação ao mesmo período de 2005.

“A Google é a próxima Microsoft porque a Microsoft é a próxima IBM.” Declarou Stephen Arnold, no seu livro “The Google Legacy”. “Assim como a Microsoft superou a IBM, o Google irá superar a Microsoft”.

Os executivos da Google evitam comentar os infortúnios da Microsoft. Mas em um artigo recente escrito para a revista “The Economist”, o CEO da Google Eric Schimidt premeditou o que será do mercado on-line no futuro “os sistemas proprietários promovidos por empresas individuais que buscam um monopólio serão varridos do mercado a partir de 2007”.

“Os últimos anos nos mostrou que esse modelo de negócios, onde as empresas querem controlar os consumidores e o conteúdo não funcionam mais.”, declarou Schimidt.

Leia a parte 2


Google e Yahoo! anunciam as buscas mais populares de 2006

20 Dezembro, 2006

Foram anunciados ontem, os resultados do Google Zeitgeist e do Yahoo! Top Searches, do ano de 2006.

O relatório do Google, o Zeitgeist, exibe listas e gráficos dos termos de buscas mais populares e aqueles que tiveram um crescimento mais acelerado dentro do Google.com. Já o Yahoo! Top Searches traz uma lista dos resultados do ano categorizados por temas, um pouco diferentes do Google. O Yahoo! disponibiliza as fotos mais buscadas ao longo de 2006 e, as buscas feitas nos principais países de atuação da empresa. No relatório do Yahoo!, também está presente uma versão que exibe mês a mês da evolução de suas buscas

A lista de termos genéricos mais procurados no Google reflete a tendência de crescimento da Web 2.0, não é de se espantar que os sites colaborativos, como Bebo, MySpace e Wikipedia, tenham sido alguns dos mais buscados em 2006. No Yahoo! foram as celebridades, encabeçada por Britney Spears, que dominaram as buscas, dos dez termos mais procurados nove são nomes de celebridades.

A discrepância entre os resultados dos dois maiores concorrentes, entre as ferramentas de buscas, continua demonstrando a grande diferença existente no foco das duas empresas. O Yahoo!, com um foco mais editorial, desperta maior interesse entre os usuários que buscam temas sociais; filmes, programas de TV, Times, letras de músicas, políticos e claro as celebridades. No Google, onde o foco é bastante diferente – mais automatizado -, o usuário procura por temas que estão em evidência em um determinado período do ano (veja gráfico abaixo) ou por definições mais genéricas. Ambos relatórios trazem, também, uma lista das notícias mais buscadas.

googlezeit

Os interessados em relembrar os maiores escândalos do ano, os casamentos, divórcios, nascimentos e óbitos mais populares ou qual esporte, político ou assunto que mais se destacaram ao longo do ano, deve visitar o site do Zeitgest e o Top Searches para ler tudo sobre a curiosidade coletiva em 2006.