Cicarelli a galinha dos ovos de ouro…

9 Janeiro, 2007

Publiquei esse texto ontem no MeioBit, para expor minha opinião a respeito dos acontecimentos recentes que envolvem a dignissima Cicarelli, o Youtube e o MP.

“Pensava que a Internet fosse um território livre e democrático. Achava maravilhosa a liberdade de expressão dominante no meio. Era a modernidade, o futuro! Será que o futuro convergirá no passado?

Minha educação pode não ter sido em colégios suíços, mas posso dizer que tive berço, não de ouro mas tive, e bastantes experiências culturais mundo à fora. Dentro dos meus princípios não deveríamos fazer “obscenidades” em locais públicos. Isso sempre foi atentado ao pudor, não sei se a lei mudou.

Falando em público, aprendi que o que é publico não tem dono, que na rua devemos respeitar o próximo e seguir os códigos de conduta e moral. Mesmo em tempos modernos, existem conceitos que perduram e devem ser respeitados. Nunca soube de Paris Hilton, Britney Spears e cia., processarem alguém quando fotografadas sem calcinha.

Se eu mato alguém no meio da rua, sou filmado e publicam o vídeo no Youtube, poderei processar o autor por invasão de privacidade? Claro que não! Certamente, isso será usado contra mim em qualquer tribunal que se preze.

Minha maior dúvida é a seguinte: por que essa inversão de valores no caso da Cicarelli? Porque não mover uma ação coletiva por atentado ao pudor, contra a dita? Afinal sua imagem está ajudando a alastrar a pornografia pelo território livre da Internet.

O Youtube é um site que proíbe a pornografia no seu Termo de Uso. Quantas crianças não acessam o site? Quantos pais e mães não tiveram seus filhos expostos a tal baixaria? Dentro de toda a minha ignorância, só consigo enxergar que o MP esteja usando esse caso para demonstrar, publicamente e abusivamente, seu poder. Pena que na contra-mão.

Enquanto isso Dona Cicarelli é a única que ganha com tudo isso. Quem pagará o prejuízo dos anunciantes brasileiros que pagaram para veicular seus anúncios no Youtube?

Lastimável essa tentativa de golpe à democracia. Hoje sinto um pouco do que meus pais sentiram em 1964, um pouco sem lenço ou sem documento.”


Os mais procurados na Wikipedia em 2006

5 Janeiro, 2007

wikipedialogo.gifVocê ainda não tem certeza de como definir o termo Web 2.0? Relaxe, você não está sozinho!

Em 2006 o termo “Web 2.0” foi o mais procurado na Wikipédia de acordo com o relatório Nielsen BuzzMetrics, superando até mesmo “Blog”, “RSS” e “Podcast”. O maior fator para o boom da Wikipédia foram as citações de seus termos em blogs, alcançando mais de 29.000 citações, 54% mais do que em 2005.

O site também dobrou sua audiência anual, alcançando a incrível marca de 37.8 milhões de acessos em novembro de 2006, contra 17.8 milhões no mesmo período em 2005, de acordo com a Nielsen NetRatings.

“Independente da controvérsia sobre a credibilidade ou neutralidade dos termos listados, a Wikipédia continua atraindo e – principalmente – retendo o internauta em seu site, facilitando e mediando discussões através da internet.” revela Johnathan Carson, CEO da Nielsen BuzzMetrics.

Carson continua, “o fortalecimento freqüente da palavra Wikipédia vs. Enciclopédia demonstra a ubiqüidade e a utilidade da marca, da mesma forma que outras marcas como Xerox, Google e iPod representam suas categorias.

A seguir a lista dos 10 termos mais procurados na Wikipédia no ano de 2006:

Web 2.0
http://en.wikipedia.org/wiki/Web_2.0

Steve Irvin
http://en.wikipedia.org/wiki/Steve_Irwin

Mark Foley Scandal
http://en.wikipedia.org/wiki/Mark_Foley_scandal

Blog
http://en.wikipedia.org/wiki/Blog

Ajax
http://en.wikipedia.org/wiki/AJAX

World War II
http://en.wikipedia.org/wiki/World_War_II

Snakes on a Plane
http://en.wikipedia.org/wiki/Snakes_on_a_plane

Meme
http://en.wikipedia.org/wiki/Meme

Wiki
http://en.wikipedia.org/wiki/Wiki

RSS
http://en.wikipedia.org/wiki/RSS


Sucesso ou fracasso?

4 Janeiro, 2007

bb

Desde a semana passada a nova campanha publicitária do Banco do Brasil vem sofrendo muitas criticas. Quando ao acessar o site do banco o cliente se deparou com seu nome estampado no seu banco on-line o pânico foi instaurado.

Nessa data diversas reclamações foram feitas através das centrais telefônicas do banco e pelo serviço de atendimento ao cliente on-line e físico. Muitos acharam que sua conta havia sido invadida ou, que o banco havia sido hackeado. Chegaram até a dizer que era “invasão de privacidade” o banco publicar seus nomes sem autorização.

No dia 02 de janeiro a nova campanha estendeu-se para as agências do banco, mais de 300 agências, em dez estados, foram “rebatizadas” com os nomes dos clientes. Nas fachadas em que antes se lia o nome do Banco, são vistas inscrições como “Banco da Ana”, ou “Banco do João”. A estratégia faz parte da campanha de marketing de fim de ano do banco e da pré-comemoração dos 200 anos do BB, que serão completados em 2008.

bb2Dessa vez foi o sindicato dos bancários de Brasília que colocou a boca no trombone. Segundo comunicado divulgado pelo sindicato, a estratégia de marketing é um “golpe” para tentar mudar o nome da instituição, como “quando tentaram mudar o nome para Banco Brasil”. “A gente discorda porque descaracteriza o banco. Dá a impressão de um banco privado. O Banco do Brasil é dos brasileiros, e assim ele deve continuar”, disse Miriam Fochi, diretora do sindicato e funcionária do Banco do Brasil, ao G1.

Paulo Rogério Caffarelli, diretor de marketing do Banco do Brasil, rebate as críticas declarando que os dirigentes sindicais têm um entendimento equivocado quanto ao conceito da campanha. “Tem tudo a ver com o que estão defendendo”, afirmou ele ao G1. O executivo negou que haja qualquer intenção de privatização na campanha. “A idéia é que o Banco do Brasil quer ser seu banco”.

Ainda segundo o diretor de Marketing e Comunicação do Banco do Brasil,   foram escolhidos nomes “do dia-a-dia”, que representam um grande número de pessoas. “A idéia da campanha é homenagear o cliente”, diz. A estratégia vai se refletir ainda no slogan da empresa, que passará de “o tempo todo com você” para “todo seu”.

Mesmo contrariando tantas criticas apóio a posição do diretor de Marketing do Banco do Brasil. Creio que tanta polêmica tenha sido criada pelo simples fato da novidade. Aprendemos nos primeiros períodos da faculdade de publicidade que o ser humano tem uma grande resistência ao novo. Talvez essa teoria esteja sendo posta em prática dentro dessa campanha do BB.

Aposto no sucesso da campanha a médio/longo prazo. O BB esta apenas vislumbrando um reposicionamento, tentando aproximar o cliente do banco. Afinal, realmente, o BB não é o banco do Brasil e sim o banco do cliente, mesmo sendo uma estatal.


Os 100 sites de buscas mais acessados da internet

3 Janeiro, 2007

No melhor estilo Tag Cloud segue a lista dos 100 sites de busca mais populares da internet. A dimensão e estilo da fonte são diretamente relacionados a popularidade do site. A popularidade é medida a partir da quantidade de buscas executadas no site.

A9 amazon.com answerbag AOL Ask.com Ask.mobile askville AURA! Baidu bessed blinkx boing ChaCha ClipBlast! Clusty collarity CometQ d e c i p h o del.icio.us digg digg labs swarm eurekster exalead Feedster FINDITALL GIGABLAST Google Google /*Code Search*/ Google Mobile ICEROCKET inQuira ixquick Jambo Jyve KartOO keyCompete Kosmix krugle KwMap last.fm like Live QnA LiveDeal lurpo MavenSearch mnemomap MS. DEWEY mystrands nayio oodle Opera Mini Pagebull pluggd PreFound Quintura kids Quitura retrevo riya ROLLYO searchmash SearchTheWeb2 SEO Discussion Search Singing FISH Skweezer snap Sphere Sphider SPURL.net SpyFu SQUIDOO Srchr SurfWax Technorati thefind.com trulia url.com Vivisimo W a l h e l l o Webaroo WEBBRAIN What to RENT? whonu? WIKIO Windows Live wink WiseNut wondir Yahoo! ANSWERS Yahoo! MINDSET Yahoo! Mobile Yahoo! SEARCH Yahoo! Search Builder Yedda yoono yoople ZABASEARCH ZEBO Zillow.com Zippy ZOO.COM ZUULA


Entenda as diferenças entre Google e Yahoo! (Parte IV – Final)

30 Dezembro, 2006

No fim, ambas as empresas estão no mesmo negócio. A maior parte dos especialistas se fosse forçado a defini-lo com uma palavra, diriam que é mídia. Sim, a Google começou sua vida como um algoritmo em um programa de PhD e a Yahoo! começou como um guia editado para a Web, mas elas estão claramente convergindo para o mesmo espaço; elas são intermediárias de informações e serviços para consumidores e obtem valor com esses serviços usando os fluxos tradicionais de receita do ramo de mídia – propaganda e assinaturas. Para Brin (co-criador) a cobrança de taxas de orientação para usuários não é algo muito longe da realidade da Google.

Devido ao seu DNA de mídia, a Yahoo! está claramente mais à vontade com obtenção de um valor justo pelos serviços de mídia prestados e, por esse fato, acredita-se que ela, a Yahoo, tenha sido mais livre em sua abordagem à busca. Como escreveu recentemente um executivo da Yahoo! para a revista Forbes: “Estamos inteiramente focalizados na conclusão de tarefas.” Em outras palavras, se a tarefa em pauta é a compra de um CD, ou verificar um vôo, ou encontrar um restaurante local, a Yahoo! tem inovado repetidamente na construção de uma comitiva de resultados de busca que ajudam o consumidor a concluir a tarefa e, no processo, remunerar a Yahoo!.

Quando o assunto é concluir tarefas, a Google faz o mesmo em muitos casos, mas a empresa sente-se pouco à vontade com a idéia de ligar comércio aos seus produtos de mídia – ela resiste em ganhar dinheiro sobre o valor criado de qualquer maneira que não seja o AdWords (e inicialmente resistiu até a isto). Dois exemplos são o News, em que não há modelo de negócios, e o Froogle, onde o único modelo é o AdWords. De certa forma, esta reticência impede a inovação no espaço dos resultados da busca.

Se o consumidor realmente quer fazer compras, ou navegar por resultados de notícias de alta qualidade, e você prestar um ótimo serviço nesse sentido, não há vergonha em ganhar dinheiro com isso, mesmo que esse dinheiro não seja ganho com propaganda (por exemplo, fechando acordos com editores de músicas ou notícias, ou convencendo seus consumidores a comprar um serviço especial).

A Google certamente é uma grande empresa de mídia. E as cartas que ela tem, combinadas com as providências que tomou recentemente, indicam que ela será no futuro uma força ainda maior em mídia. Um caso em questão é o Google Print, a medida que o programa se expande, surge uma série de perguntas. Como a Google irá ganhar dinheiro com livros cujos direitos autorais caducaram? Ao trazer para a Web seu índice de centenas de milhares de livros esgotados, ela irá permitir que outros acessem e indexem essa nova coleção de tesouros, ou agirá mais como uma empresa de mídia tradicional, que “possui” esses recursos para seu próprio uso?

Como ela irá escolher o que trazer para o índice? Irá começar por aqueles que poderão vender melhor, ou por aqueles que, de alguma forma, considerar “bons para o mundo”? Com relação a livros ativos, ela irá se limitar a ser exclusivamente uma ferramenta organizacional apoiada pelo AdWords, ou começará a cobrar uma porcentagem das vendas dos livros comercializados por meio do serviço Google Print? E o modelo para livros será estendido à televisão, filmes ou música?

A busca orgânica pura fez da Google o que ela é e permanece como o verdadeiro norte da empresa. Na Yahoo!, a busca orgânica pura é vista como uma opção (extremamente importante) entre os vários serviços relacionados a buscas oferecidos pela empresa. Quando você entra com um termo de busca, os resultados orgânicos puros estão sempre lá, mas também estão outros serviços desenvolvidos pela Yahoo! em resposta ao objetivo implícito do termo digitado.

No inicio de 2005, a American Online, uma parceira da Google, anunciou uma nova estratégia de busca que se alinhava com a abordagem da Yahoo. Não por acaso, a AOL é de propriedade da Time Warner, uma empresa de mídia. Quando as empresas como a Google e a Yahoo! passam a ser intermediarias de conteúdos como livros e vídeos, o que acontece com empresas como a Amazon? Pensando um pouco nisso, torna-se obvio por que a Amazon está ocupada aperfeiçoando o A9.com, sua própria ferramenta de busca.

A busca movimenta o comércio, e este movimenta a busca. Os dois extremos estão se encontrando no meio de forma inexorável e todo grande participante da Internet, da eBay à Microsoft, quer estar dentro. A Google pode ser a melhor em busca por enquanto, mas, no futuro, isso certamente não bastará.


Entenda as diferenças entre Google e Yahoo! (Parte III)

29 Dezembro, 2006

À medida Google e Yahoo! vão em frente com novos dispositivos e serviços, espero que essas distinções se manifestem de forma interessantes e importantes. Ambas as abordagens têm seus méritos, ambas têm seu sucesso e irão continuar a ter. Mas espere alguma tensão nos próximos anos, em particular com relação ao conteúdo.

Por exemplo, no final de 2004, a Google anunciou que iria incorporar milhões de textos de bibliotecas ao seu índice, mas não fez declarações a respeito do papel que a empresa poderia desempenhar na venda desses textos. Um mês depois, a Google lançou um serviço de busca em vídeo, mas, mais uma vez manteve o silêncio sobre como poderia participar da venda de programas de televisão e filmes na Internet. Nesse ano, 2006, a Google arrematou o YouTube em uma transação bilionária e, mais uma vez, fez mistério de seus objetivos.

A Google está claramente no processo de declarar sua posição em relação à indústria do conteúdo e ela parece ser a seguinte: nós iremos nos tornar patrocinadores de sua distribuição. Seremos o meio campo – permita que indexemos seu conteúdo e, quando as pessoas o encontrarem por meio de nós, possibilitaremos que você o venda. – Esta abordagem, tornou-se mais evidente com a discussão e a revelação de uma solicitação de patente de 2004 em nome da Google, que cria um sistema pelo qual a mídia é descoberta e paga.

Nesse sistema, pode-se imaginar que a Google tem ou fará acordos com muitos proprietários de conteúdo e irá, de algum modo, incorporar esse conteúdo ao seu índice (dizem que a empresa está fazendo exatamente isso, mas recusa-se a comentar). Quando você busca alguma coisa, o conteúdo que alguém criou virá nos resultados e, graças aos acordos de distribuição fechados pela Google, você poderá comprar imediatamente esse conteúdo. Todos são pagos!

É claro que, com a Yahoo!, isso já acontece. Mas para a Google, o ato de se colocar na posição de intermediaria de mídia é uma abertura perigosa – em particular porque seu DNA corporativo evita o todo-poderoso dólar como arbitro de qual conteúdo pode ir para o topo da página em uma determinada busca. O papel de intermediária significa que, no contexto de alguém em busca de um filme, a Google irá determinar o resultado mais relevante para termos como “comédia vulgar”, “musical romântico” ou “filme de Jack Chan”.

Para músicas, significa que a Google irá determinar qual fica em primeiro lugar para Britney Spears, mas também significa que ela terá que determinar o que deverá vir em primeiro lugar quando alguém esta buscando “hip-hop”. Quem consegue ser o primeiro nesse sistema? Quem fica com o tráfego, o negócio, o lucro? No mundo real, a resposta é clara: quem pagar mais terá o melhor posicionamento, seja na prateleira do supermercado ou no caixa da loja de discos.

Quando a Yahoo! também se tornar uma super-distribuidora de conteúdo de mídia, não resta dúvida que a empresa irá descobrir alguma maneira para indexar e distribuir conteúdo de mídia moderado pelas tradicionais forças de mercado de quem paga mais e qual é o mais popular.

No entanto, é mais provável que a Google tente surgir com uma solução tecnológica inteligente que procure determinar a resposta mais “objetiva” para qualquer termo, seja ele “comédia romântica” ou “hip-hop”. Talvez a classificação venha a ser baseada em alguma mistura de PageRank, estatísticas de download e Deus sabe o que mais, mas uma coisa será certa: a Google nunca dirá como chegou aos resultados que oferece.

Mas isto cria uma espécie de dilema em termos de ganhar dinheiro. Será que Hollywood estará realmente disposta a confiar na Google para distribuir e vender seu conteúdo na ausência da verdadeira metodologia do mundo comercial: dinheiro duro e frio?

(continua no próximo post: amanhã)


Entenda as diferenças entre Google e Yahoo! (Parte II)

28 Dezembro, 2006

Google e Yahoo! diferem em mais do que apenas na cultura de negócios. Elas também diferem na abordagem ao aplicativo central que traz lucros – a busca. Considere uma busca, qualquer, feita tanto no Google quanto no Yahoo!, no final de 2006.

No Google, uma busca lhe traz um conjunto bastante previsível de resultados relacionados a palavra-chave digitada. Quando a palavra se refere à um acontecimento muito popular, aparece muito nos noticiários, a Google incorpora algumas matérias do Google News sobre ele aos seus resultados. No lado direito, há AdWords ligados a palavra. Porém, a maior parte da página é dedicada à listagem dos 10 mais altos resultados para a palavra-chave.

Geralmente os três primeiros resultados são claramente relevantes a palavra-chave digitada. O restante da primeira página de resultados mistura links com termos que também são relevantes a palavra mas não são os que estão sendo procurados no momento. Parece que existe uma espécie de algoritmo de diversificação em funcionamento por trás das cortinas do Google. Se a ferramenta escolhesse puramente por popularidade e conexões, as primeiras centenas de resultados seriam provavelmente a respeito do significado primário da palavra digitada.

Mas em termos de explorar a intenção por trás do termo de busca o Google só vai até esse ponto. Com exceção do Google News, a empresa oferece muita pouca orientação editorial. O usuário é direcionado para o website e mais nada.

Em contraste, considere como o Yahoo! efetua a mesma busca. A digitação de alguma palavra-chave no Yahoo! Search também dá seu significado primário como primeiros resultados orgânicos, mas as semelhanças acabam ai.

A primeira coisa que o usuário enxerga abaixo da caixa de busca é o dispositivo da Yahoo! “tente também”, perguntando se o usuário pode estar em busca de uma versão mais refinada de uma busca para a palavra. Talvez esteja buscando a letra de uma determinada canção, ou imagens, ou mais informações sobre o algum fato específico. Este dispositivo é movido pela decisão editorial da Yahoo! de observar aquilo que seus usuários estão buscando e conectar os padrões que identifica.

Por trás da cortina, o Yahoo! elabora listas de buscas afins e exibe as mais relevantes. De acordo com a opinião de especialista e os próprios funcionários da Yahoo!, o dispositivo “tente também”, é um grande sucesso junto aos usuários.
Abaixo do “tente também” há dois resultados de patrocinadores (também existem muitas conexões pagas à direita, assim como na Google). Isto reflete a abordagem mais agressiva da Yahoo! à comercialização em todo o seu site.

Em todas as declarações, entrevistas, reports e outros documentos encontrados provenientes de executivos da Yahoo!, observa-se um visível orgulho quando se trata de comércio: integrar o comércio diretamente ao processo de busca é visto mais como um benefício do que como um prejuízo. A premissa usada é que a propaganda é de fato relevante e até mesmo útil para o usuário (premissa que também é usada pela Google, mas de forma quase apologética).

A prática de listar resultados patrocinados no topo da página ocorre em mais buscas no Yahoo! do que no Google, mas ela também ocorre no Google: uma busca por câmeras digitais, por exemplo, traz listagens pagas no topo dos resultados de busca pagos no topo, que muitos consideram causadora de confusão para os usuários, deixou de ser usada na Google, mas ela claramente persiste embora de forma limitada.

Continuando com os resultados da Yahoo!, vemos a seguir uma distinção vital entre as maneiras como Yahoo! e Google lidam com os objetivos de seus usuários: o atalho de busca do Yahoo!. O atalho é a tentativa do Yahoo! de trazer todas as informações mais pertinentes a respeito da palavra-chave no mesmo lugar e momento, de forma a permitir rapidamente que o usuário declare e execute seu objetivo. Em cerca de quatro linhas, o resultado atalho oferece a página referente à busca nas próprias ferramentas da Yahoo como: no Launch (serviço de música da Yahoo!), fotos, vídeos  e a possibilidade de comprar (no Yahoo! Shopping).

Os resultados do Yahoo! News também são incorporados. O atalho inteiro é marcado por um pequeno “Y!” vermelho, para que o usuario saiba que este resultado em particular provém do critério editorial da própria Yahoo!, e não da Web. Finalmente, vêm os resultados orgânicos do Yahoo!. É interessante notar que, com Yahoo!, há muito menos diversidade nos 10 primeiros resultados.

O Yahoo! não pretende ser objetivo com seus atalhos – ele está claramente direcionando os usuários para seus próprios serviços, editoriais, os quais, para ele podem atender ao objetivo da busca. Na verdade, o Yahoo! está dizendo: “Você está procurando algum material específico? Nós temos esse material, e ele é bom. Tente aquilo que sugerimos, achamos que valerá seu tempo.”.

Está evidente nesse sentimento uma distinção-chave entre Google e Yahoo. A Yahoo está muito mais disposta a ter agendas editoriais e comerciais abertas e permitir que seres humanos intervenham nos resultados de busca de forma a criar mídia que suporte essas agendas.

A Google, por outro lado, é avessa à idéia de se tornar uma empresa movida por conteúdo ou editorialmente. Apesar de ambas poderem alegar que sua missão é “organizar as informações do mundo e torna-las acessíveis” (embora somente a Google afirme isso em sua missão), elas abordam a tarefa com posturas amplamente diferentes. A Google vê o problema como podendo ser resolvido principalmente com tecnologia – os algoritmos inteligentes e a potência computacional irão prevalecer. Os seres humanos entram no quadro da busca somente quando falham os algoritmos – e, mesmo assim, com relutância.

Mas a Yahoo! sempre viu o problema como sendo um em que os seres humanos, com todos os seus vieses e seu brilho, são parte integral da solução. São os seres humanos, apoiados pela tecnologia, que direcionam os resultados “tente também” no topo da página (o processo foi automatizado, mas trata-se de uma arquitetura clássica de participação: “eis o que os outros seres humanos consideram útil com relação à sua busca”).

São seres humanos, apoiados por tecnologia, que empurram para frente o conteúdo interno e os sites comerciais da Yahoo! nos resultados do atalho. O DNA tem muito a ver com isso: a Yahoo! começou como um conjunto inteiramente subjetivo de conexões, e os primeiros anos da Yahoo! foram dominados por seu diretório editado por humanos. Os seres humanos vêm em primeiro lugar, a tecnologia, em segundo.

A Google, a seu turno começou com um algoritmo extremamente inteligente, que resolveu um problema matemático inflexível e repetitivo. Tecnologia em primeiro lugar; humanos, em segundo. Ao longo dos últimos quatro anos, a Google mudou nesta frente – se em 2002 alguém perguntasse a qualquer um lá (na Google) se aquela empresa era de mídia ou de tecnologia, a resposta sempre seria tecnologia.

Pergunte hoje, e a resposta irá depender de para quem você pergunta. Mas o mais longe que até mesmo a pessoa mais conhecedora de mídia na Google irá, será responder “Somos uma empresa de tecnologia movida por mídia.” Na Yahoo!, todos entendem que ele é uma grande participante no negócio de mídia, de Terry Semel até embaixo.

(continua no próximo post: amanhã)